OBJETIVO GERAL


OBJETIVO GERAL:
Evangelizar a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

NO FALECIMENTO DE PADRE ANTÔNIO DI FOGGIA In memoria

Caros e caras, envio ao Bispo Dom João OMI e ao Vigário Geral Mons. Brito: por conhecimento e para, se quiserem livremente, publicar no blog.

Envio ao Padre Elio De Luca e às Irmãs Oblatas (não tenho endereço da Irmãs superiora de São Luís à qual peço encaminhar) por conhecimento. Agradeço e desculpem. Um abraço. Dom Carlo


NO FALECIMENTO DE
PADRE ANTÔNIO DI FOGGIA
In memoria

Poucos dias atrás, dia 02 de abril de 2016, recebi uma mensagem via SMS, coisa que me acontece poucas vezes. Não tenho muita intimidade com estes meios mediáticos para mim sofisticados. Ignorância minha, mas... o que fazer? Normalmente é o telefone que me avisa das coisas boas ou menos boas. Assim logo se sabe quem está falando, o que está acontecendo, como aconteceu e, neste caso específico, hora e lugar do enterro. O texto dizia, na língua italiana: “Hoje, ao amanhecer, na casa do clero de Troia, passou à paz e à glória eterna Pe. Antônio Di Foggia. Abraços, Rezemos e agradeçamos aos Senhor. Bênção”.

Pensei: com certeza esta mensagem vem do Brasil. Mas Padre Antônio agora está na Itália. O texto era em língua italiana. Só podia ser o Pe. Elio De Luca, amigo de Padre Antônio, que quis avisar a mim também muito amigo do Pe. Antônio. Enviei logo uma mail ao Padre Elio, mas não tive ainda resposta. A confirmação da notícia veio do blog da Diocese de Zé Doca (Brasil): ele anunciava o falecimento do amigo comum e amigo, muito amigo, da Diocese de Zé Doca.

Eu o conheci e o encontrei, pela primeira vez, no fim do mês de novembro do ano 1974, ao chegar a São Luís e vindo diretamente da Itália para trabalhar como missionário “Fidei Donum” com o Bispo Dom Guido Maria Casullo. Lembro muito bem aquele encontro: eram 19 horas da noite, no Bairro Monte Castelo, na casa “Lar Nazaré”. Era a casa “ponto de referência” dos Padres da Prelazia de Cândido Mendes. Lá morava Dom Guido e , provisoriamente para recuperar a saúde depois de uma doença, também Padre Antônio e algumas Irmãs entre as quais  a Irmã Luciana – irmã de sangue de Padre Antônio e Irmã Oblata do Sagrado Coração de Jesus.  Saudações, palmas de boas vindas, abraços ... janta e conversa informal. Pela manhã, depois do café, o Padre Antônio me entrega uma máquina de escrever dizendo: “Nós temos um Boletim mensal imprimido manualmente para comunicar avisos, fazer umas reflexões...; ele deve ser enviado às Paróquias depois de amanhã. Seria muito bonito o senhor escrever alguma coisa sobre a sua viagem, as primeiras impressões sobre a Cidade que amanhã iremos visitar. Aqui está a máquina e umas folhas. Deve ser em língua portuguesa. Dê o seu jeito”.

Este é o Padre Antônio que eu conheci ao chegar ao Brasil. Ele tinha chegado seis anos antes naquela imensidão do mundo que era a Prelazia de Cândido Mendes; ele mais Padre Giovanni Scremin, Padre Dante Barbante, Padre Attilio Pedale, Padre Luciano Gariglio, Padre Mário Racca e Dom Guido. Total de Km ² 33.000, apenas 10 vezes menor do que a Itália, com 20 Municípios e 350.000 moradores. O Padre Antônio, com estes primeiros Padres “Fidei Donum”, foi um dos primeiros a levar o Evangelho nestas terras, depois da presença evangelizadora dos Padres franciscanos que, vindos Turiaçu montando burros e bois, passavam uma vez por ano dando palestras, confessando, celebrando Missa, batizando, casando... e indo para frente para outro povoado. O Evangelho ao pé da letra.

Hoje a notícia do falecimento. Deu-me tristeza! 
Pensei, por um momento, de poder participar dos funerais, atravessando, do Norte ao Sul, a Itália toda. Não deu: fiquei rezando pelo amigo e lembrando-o ao Senhor e à infinita Misericórdia dele; desejando paz, serenidade, boa acolhida na casa do Pai e no lugar preparado por Cristo a quantos o servem de coração sincero.

E imaginei a grande festa que se estava realizando no Céu naquele momento.

O abraço do Trindade Santa ao seu filho Antônio; o Pai olhando com carinho e com alegria, bem nos olhos, Padre Antônio, que aguenta o olhar profundo e intenso e agradecido do Pai; Padre Antônio com as mãos cheias de flores, sinais e símbolos de tantas lutas, caminhadas de pé, de barco, de cavalo e... de carro pelos campos e matas do Maranhão, está entregando ao Pai a prestação de um trabalho-serviço de muitos anos em favor do povo de Turiaçu, de Cândido Mendes, Godofredo Viana, Pilões, Turilândia; serviço feito de Encontros, Cursos sem fim, Assembleias, Planos de pastoral, Iniciativas vocacionais para rapazes e moças, Profissionalização de jovens nas EPAS (escolas para agricultores),  Escolas para formação à p resença de Leigos na política, nos Sindicatos, na animação das Comunidades de Base, nas construções de Igrejas e Capelas para o Culto, de casas para a moradia de Padres, Irmãs e pobres; sobretudo Padre Antônio apresentando ao Pai um povo catequisado, numerosíssimo, que conhece, agora, mais a Cristo, o ama, leva a notícia do amor dele (é o Evangelho) a outros, que no meio da sociedade são sementes de valores e fermento de vida nova.

Imagino o abraço com a Irmã Luciana (irmã de sangue e também irmã consagrada na “Congregação das Oblatas do Sagrado Coração de Jesus”), com a Irmã Tomásia e outras: trabalharam juntos a serviço da Prelazia de Pinheiro antes, de Zé Doca depois, voltaram para a Diocese de Pinheiro e agora novamente estão na Diocese de Zé Doca, em Governador Nunes Freire e, enfim, novamente na Diocese de Pinheiro.

Imagino o abraço de Padre Antônio com o seu Bispo Dom Guido Maria Casullo, falecido em janeiro de 2004: para ele Padre Antônio foi amigo, filho, conselheiro, secretário, confidente nos momentos alegres (poucos) e nos momentos difíceis (tantos). Era o tempo das lutas pelos problemas da terra, de exproprio injusto de propriedades de lavradores, de injustiças pelas invasões e derrubamento de casas do povo simples e humilde, de prisões arbitrárias... Padre Antônio sempre esteve ao lado do Bispo Dom Guido. E nunca faltou o apoio do Presbitério.

Por isso digo: a morte de Padre Antônio não deve nos levar à tristeza – que é normal, pois os afetos humanos ficam quebrados -, e sim a uma festa solene pelo encontro dele com a Trindade Santa, com Nossa Senhora e tantos santos, acompanhado por uma longa procissão de povo que o reencontra, o abraça, o agradece e torce por ele. É a festa que dá sentido ao nosso viver aqui na terra fazendo o bem: “... estava com fome... estava com sede...”,  precisava de saúde, precisava de instrução, educação, conforto, conselho... e você estava “presente” perto do menor dos meus.

O Padre Antônio esteve presente - quer dizer artífice e articulador – na evangelização do nosso povo nos vários momentos importantes de desenvolvimento da nossa Diocese de Zé Doca.

Foi presente quando parte do território da Prelazia de Pinheiro foi desligado e se tornou Prelazia de Candido Mendes, com sede episcopal e Catedral naquela cidade do Litoral: afinal os Municípios estavam todos no Litoral, rodeados de centenas de povoados sem assistência religiosa ou certamente insuficiente. O restante do território era simplesmente mata, floresta e pastagem.

Também quando a mesma Prelazia se tornou Diocese de Zé Doca, Padre Antônio estava lá prestando o seu serviço na articulação.

Foi presente quando, devido à construção da BR-316 e consequente aumento da população dos povoados ao longo da mesma, se percebeu a necessidade de transferir a sede da Diocese para Zé Doca, a Cidade mais populosa, embora não geograficamente central. O território da Prelazia tinha aumentado, por outros motivos, recebendo os Municípios de Bom Jardim, Chapéu de Couro (agora Governador Newton Bello) e Zé Doca mesmo.

Foi presente quando, por causa da imensa dificuldade de comunicação entre a Cidade de Turiaçu e a sede de Zé Doca, percebeu-se a necessidade de entregar esse território para a Diocese de Pinheiro.

Uma história à parte, e muito bonita, poderiam contar as Irmãs da “Congregação das Oblatas do Sagrado Coração de Jesus”. Com elas trabalhou bastante e por muitos anos; delas foi formador, animador, conselheiro,  pai que amaram e foram amadas.

Agora a Diocese de Zé Doca tem um Bispo novo, forte, que leva á frente os projetos e planos que Padre Antônio e outros (Bispos, Padres, religiosos/as e Leigos) pensaram e acalentaram no coração.

Fala, Padre Antônio, a Deus em favor desse povo bom; seja, para nós todos, intercessor. Agradecemos-te, e... seja festa grande lá no céu.

Seja feliz, Padre Antônio. Palmas para você e... nos aguarde.
Um abraço de todos nós de Zé Doca, que foi o teu primeiro amor.

+ Carlo Ellena - emérito


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