OBJETIVO GERAL


OBJETIVO GERAL:
Evangelizar a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


MENSAGEM FINAL 
DO II SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE A FORMAÇÃO PRESBITERAL (20-25/01/2014) 

“Presbíteros segundo o coração de Jesus, para o mundo de hoje” 

“Corramos com perseverança com os olhos fixos em Jesus” (Hb 12, 1-2) 

1. Nós, 232 participantes do II Seminário Nacional sobre a Formação Presbiteral, formadores, formandos e leigos comprometidos com a formação presbiteral em nossas Dioceses, nos reunimos aos pés de Nossa Senhora Aparecida, “Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos” (Papa Francisco), neste momento eclesial característico, para em atitude de escuta, oração e diálogo, sondar indicações para que nossos Seminários se tornem sempre mais lugar de vida e vida plena (cf. Jo 10, 14). 

2. A vocação ao ministério ordenado é dom e tarefa. Dom, pois, sua origem não está em nós mesmos. Ao início do nosso ser cristão, seminarista e presbítero, está o encontro com a Pessoa de Jesus e seu projeto: “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). E é tarefa, pois, cada um é convocado a fazer crescer e frutificar o dom recebido na comunhão do presbitério. A vida se fortalece em se doando (cf. Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n. 10). 

3. Com o coração pulsante, dispostos para “o bom combate da fé” (2Tm 4,7), queremos ter sempre os “olhos fixos em Jesus” (Hb 12,2). Apressamo-nos na corrida “do certame que nos é proposto” (Hb 12,1b), até o dia em que o Senhor, por sua graça e misericórdia, nos chamar para o convívio definitivo. 

4. Reconhecemos as fragilidades, as dificuldades e os desafios nossos e de nossas instituições formativas. Isto nos conscientiza de que precisamos ainda melhor qualificar o processo formativo. Dispomo-nos, como formadores, a esse ministério por amor ao Senhor, à Igreja, a nossos presbitérios e ao nosso povo. Sabemos que o testemunho de pessoas apaixonadas pelo Crucificado-Ressuscitado é fundamental neste nosso serviço. “Ele é a fonte da nossa esperança, e não nos faltará a sua ajuda para a missão que nos foi confiada” (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, n. 278). 

5. O ministério ordenado, como participação no sacerdócio de Cristo, fiel à vontade do Pai, misericordioso e solidário, só pode ser compreendido à luz da fé. Para viver generosamente esse dom, precisamos cuidar do coração, tornando-o pleno de ardor e fervor, deixando de lado tudo que atrapalha à configuração com Jesus Cristo. 

6. Em nossa missão, sejamos perseverantes e não nos deixemos abater pelos desafios, pois Cristo é nossa vida e nosso guia, nossa esperança e nosso fim, nossa única referência. Como discípulos-missionários, queremos lançar-nos na missão de proclamar a “boa nova da parte de Deus” (Cf. Mc 1, 38), na alegria da “loucura da Cruz” (1Cor 1,18). 

7. Na arte de formar presbíteros segundo o coração de Jesus, somos exortados a sair de nossas comodidades e autorreferências e, sem medo, ir às periferias existenciais que marcam nosso tempo. Dispomo-nos à missionariedade característica dos discípulos daquele “que passou por entre nós fazendo o bem” (At 10,38), e que “fazia bem todas as coisas” (Mc 7,36). 

8. Queremos ser como Jesus: homens de vigor espiritual, pobres e zelosos no exercício da caridade pastoral. Que a intimidade com a sua Palavra viva e eficaz e com a Eucaristia, ilumine e alimente nossa vocação e nosso ministério. 

9. Agradecidos por este II Seminário, invocamos a intercessão de São Luiz Gonzaga e São João Maria Vianney, padroeiros dos seminaristas e dos padres, para que possamos sempre e de novo responder ao convite do Senhor – “Vem e segue-me” (Mt 19,21) – e permanecer no seu amor (cf. Jo 15,9). 

Aparecida (SP), 25 de janeiro de 2014 



domingo, 26 de janeiro de 2014

PESQUISA MOSTRA QUE HÁ MAIS DE NOVE MIL GRUPOS DE JOVENS DA PJ NO BRASIL

Existem hoje, no país, 9. 183 grupos de jovens da Pastoral da Juventude, em 2.675 paróquias. Foi o que informou o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, padre Antônio Ramos do Prado, durante a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude (ANPJ), que acontece em Ribeirão das Neves, de 20 a 26 de janeiro.

Os dados, apresentados pelo assessor, são resultados de uma pesquisa realizada junto aos regionais e dioceses do Brasil, com o objetivo de fazer um diagnóstico da realidade da Pastoral da Juventude no Brasil.

A pesquisa constata, ainda, que das 2.675 paróquias, 1765 têm coordenação de PJ, mas 1641 não têm assessoria e acompanhamento.

No encontro, os jovens apontaram os desafios e avanços das dioceses e regionais com relação à Pastoral da Juventude e indicaram membros para a Comissão Nacional de Assessores, responsável por acompanhar as formações de assessores e jovens nos regionais.

A Pastoral da Juventude comemora os seus 40 anos. A Ampliada aborda o tema “Somos Igreja Jovem: 40 anos construindo a civilização do amor” e lema “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4, 20). Participam da ANPJ cem delegados de todos os regionais da CNBB, com a finalidade de avaliar a caminhada da PJ e definir diretrizes para a ação pastoral.

O encerramento do encontro será no dia 26 de janeiro. Informações: secretarianacional@pj.org ou no site: www.pj.org.br
Fonte:http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais/juventude/13533-2014-01-24-16-54-14


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Carta dos Bispos do Maranhão
A ser lida em todas as celebrações
Carta dos Bispos do Maranhão


Ao Povo de Deus
e a todas as pessoas de boa vontade
“Justiça e paz se abraçarão” (Sl 85,11)
Ainda estão vivas em nós a forte emoção e dor, provocadas pelos últimos acontecimentos no Estado do Maranhão – a morte violenta da Ana Clara, criança de seis anos que faleceu após ter seu corpo queimado nos ataques a ônibus; os cruéis assassinatos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas; o clima de terror e medo vivido na cidade de São Luís.
A nossa sociedade está se tornando cada vez mais violenta. É nosso parecer que essa violência é resultado de um modelo econômico-social que está sendo construído.
A agressão está presente na expulsão do homem do campo; na concentração das terras nas mãos de poucos; nos despejos em bairros pobres e periferias de nossas cidades; nos altos índices de trabalhadores que vivem em situações de exploração extrema, no trabalho escravo; no extermínio dos jovens; na auto-destruição pelas drogas; na prostituição e exploração sexual; no desrespeito aos territórios de indígenas e quilombolas; no uso predatório da natureza.
Esta cultura da violência, aliada à morosidade da Justiça e à ausência de políticas públicas, resulta em cárceres cheios de jovens, em sua maioria negros e pobres.
O nosso sistema prisional não reeduca estes jovens. Ao contrário, a penitenciária transformou-se em uma universidade do crime. Não nos devolve cidadãos recuperados, mas pessoas na sua maioria ainda mais frustradas que veem na vida do crime a única saída para o seu futuro.
 Vivemos num Estado que erradicou a febre aftosa do gado, mas que não é capaz de eliminar doenças tão antigas como a hanseníase, a tuberculose e a leishmaniose. É verdade que a riqueza no Maranhão aumentou. Está, porém, acumulada em mãos de poucos, crescendo a desigualdade social. Os índices de desenvolvimento humano permanecem entre os mais baixos do Brasil. Não é este o Estado que Deus quer. Não é este o Estado que nós queremos!
Como discípulos missionários de Jesus, estamos comprometidos, junto a todas as pessoas de boa vontade, na construção de uma sociedade fraterna e solidária, sem desigualdades, sem exclusão e sem violência, onde a “justiça e a paz se abraçarão” (Sl 85,11 ) . A cultura do amor e paz, que tanto almejamos, é um dom de Deus, mas é também tarefa nossa.
Nós, bispos do Maranhão, convocamos aos fieis católicos e a todas as pessoas que buscam um mundo melhor a realizarem um gesto concreto no próximo dia 2 de fevereiro, como expressão do nosso compromisso com a justiça e a paz. Neste dia – Festa da Apresentação do Senhor, Luz do mundo, e de Nossa Senhora das Candeias –, pedimos que se realize em todas as comunidades uma caminhada silenciosa à luz de velas, por ocasião da celebração. Às pessoas comprometidas com esta causa e às que não puderem participar da celebração sugerimos que acendam uma vela em frente à sua residência, como sinal do seu empenho em favor da paz.
Invocando a proteção de Nossa Senhora, Rainha da Paz, rogamos que o Espírito nos oriente no sentido de assumirmos nossa responsabilidade social e política para construirmos uma sociedade de irmãs e irmãos que convivam na igualdade, na fraternidade e na paz.
Centro de Formação de Mangabeiras-Pinheiro - MA, 15 de janeiro de 2014
Dom Armando Martin Gutierrez – bispo de Bacabal
Dom Carlo Ellena – bispo de Zé Doca
Dom Élio Rama – bispo de Pinheiro
Dom Enemésio Lazzaris – bispo de Balsas
Dom Franco Cuter – bispo de Grajaú
Dom Gilberto Pastana de Oliveira – bispo de Imperatriz
Dom José Belisário da Silva – arcebispo de São Luís
Dom José Soares Filho – bispo de Carolina
Dom José Valdeci Santos Mendes – bispo de Brejo
Dom Sebastião Bandeira Coêlho – bispo de Coroatá
Dom Sebastião Lima Duarte – bispo de Viana
Dom Vilsom Basso – bispo de Caxias
Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges – bispo emérito de Viana


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


Frei Betto: A tragédia maranhense


Por descaso do governo Roseana Sarney, o Brasil e o mundo assistem a uma tragédia no Maranhão. Na penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, 62 presos foram assassinados nos últimos meses, muitos deles degolados. As imagens estão na internet.
O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU pediu que o governo brasileiro apure a chacina de Pedrinhas. É bom lembrar que, em novembro de 2013, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou que, no Brasil, “é preferível morrer de que ficar preso”.
Nosso país abriga, hoje, cerca de 515 mil detentos. Muitos sem culpa formada. A maioria dos encarcerados vive amontoada promiscuamente, sem que o sistema de segurança impeça a prática de delitos de dentro para fora da cadeia.
Como explicar celulares nas prisões? Em nenhum aeroporto se consegue passar no controle eletrônico portando o aparelho. Ora, sabemos que os agentes penitenciários são mal pagos, insuficientemente preparados para a função, o que torna muitos vulneráveis à corrupção. Assim, os presídios se transformam em queijos suíços, cheios de buracos pelos quais entram celulares, drogas e armas.
Há diretores e funcionários de penitenciárias que resistem aos bloqueadores porque ficariam sem contato externo via celular. O crime agradece ao corporativismo…
De dentro de cárceres, presos comandam o crime, como as extorsões telefônicas, em que a vítima cai no trote de que um parente está em mãos de bandidos. Das celas da penitenciária de Pedrinhas, facções criminosas teriam ordenado a queima de ônibus, que resultou na morte de uma menina.
O Brasil clama por uma reforma do sistema prisional que adote novos métodos de ressocialização dos detentos. Insisti nesse tema, junto ao Ministério da Justiça, nos dois anos em que assessorei o presidente Lula. Em vão.
Vivi dois, dos quatro anos em que estive encarcerado (1969-1973), como preso comum. Em São Paulo, na penitenciária do Estado, no Carandiru e na penitenciária de Presidente Venceslau. Constatei, na prática, como não é difícil recuperar presos comuns. Basta saber ocupá-los. Não com faxina, ajudante de cozinha ou capinando, como é frequente.
Seis presos políticos, misturados a 400 comuns, promovemos grupos bíblicos, grupo de teatro, oficinas de arte e curso supletivo de madureza (hoje, segundo grau). Mais de 100 detentos foram beneficiados por aquelas iniciativas, e vários se ressocializaram.
Cada presídio poderia ser transformado, em parceria com a iniciativa privada, em escola de informática, culinária, idiomas, formando também encanadores, eletricistas, mestres de obras etc.
O nó da questão é que o governo não tem real interesse na ressocialização de presos comuns. Quem estiver interessado nas razões dessa absurda omissão leia Michel Foucault.
CARLOS ALBERTO LIBANIO CHRISTO, 69, o Frei Betto, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de “Diário de Fernando – nos Cárceres da Ditadura Militar Brasileira” (Rocco), entre outros livros


CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014



Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Na quarta-feira passado demos início a uma breve série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Baptismo. E também hoje gostaria de meditar sobre o Baptismo, para ressaltar um fruto muito importante deste Sacramento: ele leva-nos a ser membros do Corpo de Cristo e do Povo de Deus. S. Tomás de Aquino afirma que quantos recebem o Baptismo são incorporados a Cristo quase como seus próprios membros e agregados à comunidade dos fiéis (cf. Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art. 1), ou seja, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, hoje dizemos que o Baptismo nos faz entrar no Povo de Deus, levando-nos a ser membros de um Povo a caminho, um Povo peregrino na história.
Com efeito, assim como a vida se transmite de geração em geração, também de geração em geração, através do renascimento na pia baptismal, é transmitida a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo como um rio que irriga a terra e propaga no mundo a bênção de Deus. Desde que Jesus disse o que ouvimos do Evangelho, os discípulos partiram para baptizar; e desde aquela época até hoje há uma cadeia na transmissão da fé mediante o Baptismo. E cada um de nós é um elo daquela corrente: um passo em frente, sempre; como um rio que irriga. Assim é a graça de Deus, assim é a nossa fé, que devemos transmitir aos nossos filhos, às crianças, para que elas, quando forem adultas, possam transmiti-la aos seus filhos. Assim é o baptismo. Porquê? Porque o baptismo nos faz entrar neste Povo de Deus, que transmite a fé. Isto é deveras importante. Um Povo de Deus que caminha e transmite a fé.
Em virtude do Baptismo nós tornamo-nos discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho ao mundo (cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120). «Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização... A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo» (ibid.) da parte de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo de cada baptizado. O Povo de Deus é um Povo discípulo — porque recebe a fé — e missionário — porque transmite a fé. É isto que o Baptismo faz entre nós: confere-nos a Graça, transmite-nos a Fé. Todos na Igreja somos discípulos, e somo-lo sempre, a vida inteira; e todos nós somos missionários, cada qual no lugar que o Senhor lhe confiou. Todos: até o mais pequenino é missionário; e aquele que parece maior é discípulo. Mas algum de vós dirá: «Os Bispos não são discípulos, eles sabem tudo; o Papa sabe tudo, e não é discípulo». Não, até os bispos e o Papa devem ser discípulos, pois se não forem discípulos não farão o bem, não poderão ser missionários nem transmitir a fé. Todos nós somos discípulos e missionários.
Existe um vínculo indissolúvel entre as dimensões mística e missionária da vocação cristã, ambas arraigadas no Baptismo. «Ao receber a fé e o batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo, que leva a confessar a Jesus como Filho de Deus e a chamar Deus “Abba”, Pai. Todos os batizados e batizadas... são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária”» (Documento final de Aparecida, n. 157).
Ninguém se salva sozinho. Somos uma comunidade de fiéis, somos Povo de Deus e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para ser «canais» da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma «moldura», um «contorno», mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja, e no Baptismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a Cristo e ao seu corpo, que é a Igreja (cf. ibid., n. 175b).
A propósito da importância do Baptismo para o Povo de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã no Japão. Ela padeceu uma perseguição árdua no início do século XVII. Houve numerosos mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram assassinados. No Japão não permaneceu nem sequer um sacerdote, todos foram expulsos. Então, a comunidade retirou-se na clandestinidade, conservando a fé e a oração no escondimento. E quando nascia um filho, o pai ou a mãe baptizavam-no, pois todos os fiéis podem baptizar em circunstâncias particulares. Quando, depois de cerca de dois séculos e meio, 250 anos mais tarde, os missionários voltaram para o Japão, milhares de cristãos saíram do escondimento e a Igreja conseguiu reflorescer. Sobreviveram com a graça do seu Baptismo! Isto é grande: o Povo de Deus transmite a fé, baptiza os seus filhos e vai em frente. E apesar do segredo, mantiveram um vigoroso espírito comunitário, porque o Baptismo os tinha levado a constituir um único corpo em Cristo: viviam isolados e escondidos, mas eram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos aprender muito desta história!



Saudações
Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência, especialmente aos grupos vindos do Brasil. Queridos amigos, todos os batizados estão chamados a ser discípulos missionários, vivendo e transmitindo a comunhão com Deus, transmitindo a fé. Em todas as circunstâncias, procurai oferecer um testemunho alegre da vossa fé. Que Deus vos abençoe!
Estimados irmãos e irmãs de expressão árabe, provenientes da Jordânia e da Terra Santa: aprendei da Igreja no Japão que, devido às perseguições no século XVII, se retirou no escondimento durante aproximadamente dois séculos e meio, transmitindo de geração em geração a chama da fé sempre acesa. Quando são vividas com confiança, convicção e esperança, as dificuldades e as perseguições purificam a fé e fortalecem-na. Sede verdadeiras testemunhas de Cristo e do seu Evangelho, filhos autênticos da Igreja, sempre prontos para dar razão da vossa esperança com amor e respeito. O Senhor preserve a vossa vida e vos abençoe!
Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No domingo passado pudemos celebrar a Solenidade do Baptismo do Senhor, ocasião propícia para reconsiderar a própria pertença a Cristo, na fé da Igreja. Amados jovens, voltai a descobrir diariamente a graça que deriva do Baptismo. Vós, dilectos enfermos, hauri do Baptismo a força para enfrentar momentos de dor e de desalento. E vós, queridos recém-casados, sabei traduzir os compromissos do Baptismo no vosso caminho de vida familiar.


Cientistas de batina: grandes homens, grandes esquecidos

Acaba de ser lançado um livro que redescobre sacerdotes e religiosos que deram uma importante contribuição à ciência.


A maioria das pessoas já ouviu falar do monge católico Gregor Mendel, pai da genética, mas só alguns sabem que Niccolò Stenone, bispo e beato, lançou as bases da geologia moderna. Poucos conhecem os inúmeros eclesiásticos católicos (e alguns pastores protestantes, mas nenhum imã, rabino, xamã, brâmane hindu ou monge budista) que foram pioneiros em diversos campos da pesquisa científica.

Este é o motivo que levou Francesco Agnoli e Andrea Bartelloni a escrever um livro sobre o tema, chamado "Cientistas de batina: de Copérnico, pai do heliocentrismo, a Lemaître, pai do Big Bang" (Editora La Fontana di Siloe), no qual se destaca como, na origem da ciência experimental moderna, houve muitos cientistas religiosos, para os quais "estudar a natureza era simplesmente ler o livro escrito pelo Criador, buscar suas pegadas, seu passos", mas "sem nenhuma pretensão de possuir toda a verdade, de reduzir a causa primeira às causas segundas, de transformar a ciência experimental em uma fé, de fazer uma metafísica onicompreensiva".

"Cientistas de batina" é a história de alguns personagens que viveram uma intensa fé religiosa em um Deus transcendente e uma grande paixão pela pesquisa empírica e científica, buscando a fecunda relação entre fé e razão.

São muitas as pessoas citadas, começando por Nicole D'Oresme (1323-1382), bispo de Lisieux, que teorizou o movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo, sendo, portanto, um precursor de Copérnico. Também se fala de Leonardo Garzoni, pai do magnetismo; de Benedetto Castelli, especialista em ciência hidráulica; de Lázaro Spallanzani, o "príncipe dos biólogos", primeiro naturalista da Europa; de Boaventura Corti, jesuíta especialista em física.

Outro cientista citado pelo livro é Luis Galvani, quem descobriu a eletricidade animal e que, segundo Niels Bohr, deu vida a uma "nova época na história da ciência". Também aparecem René-Just Haüy, especialista em mineralogia; João Batista Venturo, especialista em fluidos; São Alberto Magno e o Pe. André Bina, sismólogos e meteorologistas; Teodoro Bertelli, pai da microssismologia; Santiago Bresadola, micrologista; Georges Édouard Lemaître, sacerdote que teorizou o Big Bang.

O livro termina falando de dois religiosos que ainda vivem e que, além disso, são entrevistados: Giuseppe Tanzella-Nitti, que se dedicou durante alguns anos à pesquisa científica no campo da radioastronomia e da cosmologia, e o físico Alberto Strumia.

Cai por terra, então, o mito segundo o qual a combinação "padre-cientista" não dá certo. O problema é que os dogmas do positivismo, vinculados há muito tempo aos ambientes liberais e às ditaduras do século 20, ditos e repetidos uma infinidade de vezes, deixaram sua marca no imaginário coletivo, nutrido de uma versão banal, incompleta e anti-histórica do tema Galileu.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Carta dos Bispos participantes do 13º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base ao Povo de Deus

Irmãs e Irmãos,

“Vós sois o sal da terra (...) Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14).

Nós, bispos participantes do 13º Intereclesial de CEBs, em número de setenta e dois, como pastores do Povo de Deus, dirigimos nossa palavra a vocês participantes das Comunidades Eclesiais de Base com seus animadores e animadoras e demais irmãs e irmãos que assumem ministérios e outras responsabilidades.
Em Juazeiro do Norte (CE), terra do Padre Cícero Romão Batista, na centenária diocese de Crato, nos encontramos com romeiros e romeiras, e com eles também nos fizemos romeiros do Reino.
Acolhemos com muita a alegria a carta que o Papa Francisco enviou ao Bispo Diocesano D. Fernando Pânico trazendo a mensagem aos participantes do 13º intereclesial das CEBs e que foi lida na celebração de abertura.
Participamos das conferências; dos testemunhos no Ginásio poli-esportivo, denominado Caldeirão Beato José Lourenço; de debates e grupos em diversas escolas (ranchos e chapéus) situadas em diversas áreas das cidades de Juazeiro e do Crato; das visitas missionárias às famílias e a algumas instituições; da celebração em memória dos profetas e mártires da fé, da vida, dos direitos humanos, da justiça, da terra e das águas realizada no Horto onde se encontra a grande estátua de Pe. Cícero comungando com a causa dos pobres: povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais sofredores e com a causa do ecumenismo  na promoção da cultura da vida e da paz, do encontro. Tivemos também a grande alegria de participar da celebração eucarística de encerramento na Basílica de Nossa Senhora das Dores quando todos os presentes foram enviados para que no retorno às comunidades de origem possamos ser de fato sal da terra e luz do mundo.
Estamos vendo como as CEBs estando enraizadas na Palavra de Deus, aí encontram luzes  para levar adiante sua missão evangelizadora vivenciando o que nos pede a todos o lema: “Justiça e Profecia a serviço da vida”. Desse modo, cada comunidade eclesial vai sendo sal da terra e luz do mundo animando os seus participantes a darem esse mesmo testemunho.
Muito nos sensibilizaram os gritos dos excluídos que ecoaram neste 13º intereclesial: gritos de mulheres e jovens que sofrem com a violência e de tantas pessoas que sofrem as consequências  do agronegócio, do desmatamento, da construção de hidrelétricas, da mineração, das obras da copa do mundo, da seca prolongada no nordeste, do tráfico humano, do trabalho escravo, das drogas, da falta de planejamento urbano que beneficie os bairros pobres; de um atendimento digno para a saúde...
Sabemos dos muitos desafios que as comunidades enfrentam na área rural e nas áreas urbanas (centro e periferias). Nossa palavra é de esperança e de ânimo junto às comunidades eclesiais de base que, espalhadas por todo este Brasil, pelo continente latino-americano e caribenho e demais continentes representados no encontro, assumem a profecia e a luta por justiça a serviço da vida. Desejamos que sejam de modo muito claro e ainda mais forte comunidades guiadas pela Palavra de Deus, celebrantes do Mistério Pascal de Jesus Cristo, comunidades acolhedoras, missionárias, atentas e abertas aos sinais da ação do Espírito de Deus, samaritanas e solidárias.
Reconhecendo nas CEBs o jeito antigo e novo da Igreja ser, muito nos alegraram os sinais de profecia e de esperança presentes na Igreja e na sociedade, dos quais as CEBs se fazem sujeito. Que não se cansem de ser rosto da Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas e não de uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças, como nos exorta o querido Papa Francisco (cf. EG 49).
Para tanto, reafirmamos, junto às Cebs, nosso empenho e compromisso de acompanhar, formar e contribuir na vivência de uma fé comprometida com a justiça e a profecia, alimentada pela Palavra de Deus, pelos sacramentos, numa Igreja missionária toda ministerial que valoriza e promove a vocação e a missão dos cristãos leigos (as), na comunhão.
Com o coração cheio de gratidão e esperança, imploramos proteção materna da Virgem Mãe das Dores e das Alegrias.

Juazeiro do Norte, 11 de janeiro de 2014, festa do Batismo do Senhor.
Fonte: http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais/laicato/setor-cebs/13471-2014-01-12-16-24-38


PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor.
O Baptismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.
Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, uma acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.
Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós conhece a data do próprio Baptismo, levante a mão. É importante conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do Baptismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Baptismo. Conhecer a data do nosso Baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não o conhecer significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual na nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!
Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.
Ao longo da história sempre um baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, uma acto de filiação à Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.
Peçamos então de coração ao Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar, perguntar a data do próprio Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

NO ANGELUS, O PAPA ANUNCIA A CRIAÇÃO DE 19 NOVOS CARDEAIS, UM DELES BRASILEIRO


Aqui estão as palavras com que o Papa Francisco no Angelus anunciou a criação de 19 novos cardeais:
Como foi anunciado anteriormente, em 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro, terei a alegria de realizar um Consistório, no qual eu vou nomear 16 novos cardeais, que, pertencentes a 12 países em todo o mundo, representando a relação de proximidade Igreja entre a Igreja de Roma e outras igrejas ao redor do mundo. No dia seguinte, presidirá uma solene concelebrada com os novos Cardeais, enquanto 20 e 21 de Fevereiro I vai realizar um consistório com todos os cardeais para refletir sobre o tema da família.
Aqui estão os nomes dos novos cardeais:
1 – Mons. Pietro Parolin, Arcivescovo titolare di Acquapendente, Segretario di Stato.
2 – Mons. Lorenzo Baldisseri, Arcivescovo titolare di Diocleziana, Segretario Generale del Sinodo dei Vescovi.
3 - Mons. Gerhard Ludwig Műller, Arcivescovo-Vescovo emerito di Regensburg, Prefetto della Congregazione per la Dottrina della Fede.
4 – Mons. Beniamino Stella, Arcivescovo titolare di Midila, Prefetto della Congregazione per il Clero.
5 – Mons. Vincent Nichols, Arcivescovo di Westminster (Gran Bretagna).
6 – Mons. Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcivescovo di Managua (Nicaragua).
7 – Mons. Gérald Cyprien Lacroix, Arcivescovo di Québec (Canada).
8 – Mons. Jean-Pierre Kutwa, Arcivescovo di Abidjan (Costa d’Avorio).
9 – Mons. Orani João Tempesta, O.Cist., Arcivescovo di Rio de Janeiro (Brasile).
10 – Mons. Gualtiero Bassetti, Arcivescovo di Perugia-Città della Pieve (Italia).
11 – Mons. Mario Aurelio Poli, Arcivescovo di Buenos Aires (Argentina).
12 – Mons. Andrew Yeom Soo jung, Arcivescovo di Seoul (Korea).
13 – Mons. Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcivescovo di Santiago del Cile (Cile).
14 – Mons. Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcivescovo di Ouagadougou (Burkina Faso).
15 – Mons. Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcivescovo di Cotabato (Filippine).
16 – Mons. Chibly Langlois, Vescovo di Les Cayes (Haïti).

Com eles vai juntar-se aos membros do Colégio de Cardeais, Arcebispos 3 emérito, que se distinguiram pelo seu serviço à Santa Sé e da Igreja. Eles são:
1 - O Arcebispo Loris Francesco Capovilla, Arcebispo titular de Mesembria.
2 - Dom Fernando Sebastián Aguilar, CMF, Arcebispo emérito de Pamplona.
3 - Edward Arcebispo Kelvin Felix, Arcebispo emérito de Castries.

Oramos para os novos cardeais, que cobriam as virtudes e os sentimentos do Senhor Jesus (Rm 13:14) Bom Pastor, eles podem ajudar de forma mais eficaz o Bispo de Roma em seu serviço à Igreja universal.