OBJETIVO GERAL

OBJETIVO GERAL: Criar e fortalecer comunidades eclesiais missionárias enraizadas na Palavra de Deus e nas realidades da diocese, tendo a missão como eixo fundamental.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

MISSÃO ALÉM-FRONTEIRAS

 


Sob o tema: “O Senhor está aqui e te chama!” (Jo 11,28), eu, Joaquim Soares, fui ordenado diácono transitório da Diocese de Zé Doca no dia 25 de outubro de 2025, por Dom João Kot, OMI, Bispo de Zé Doca, Maranhão, Brasil. No dia 17 de março de 2026, fui enviado, por um período de seis meses, para missão no Peru, país localizado na América do Sul. Mais precisamente, minha missão acontece no distrito de Orcotuna, pertencente à jurisdição eclesiástica da Arquidiocese de Huancayo. Fui recebido pelos padres Oblatos de Maria Imaculada, OMI, Pe. Gonzalo Zavala e Pe. Justo Negreiros.

Duas verdades de fé contidas nessa frase bíblica me levaram a escolhê-la como tema da minha ordenação. E é com base nessas verdades que procuro viver minha missão todos os dias, em qualquer lugar. A primeira verdade é: O Senhor está aqui. Ou seja, não estamos sós no mundo. Ele está no nosso meio e sua presença, embora não seja visível como outrora foi, continua sendo ativa e o será até a sua volta. É uma presença de esperança em meio às desilusões da vida; de consolo diante daqueles que sofrem; de alimento espiritual, porque o pão material não satisfaz todas as nossas necessidades. Sua presença não está restrita a determinados lugares ou povos. Ele está entre todos aqueles que o invocam de coração sincero. Assim, podemos encontrá-lo em todas as partes do mundo: nas grandes cidades, mas também nos pequenos povoados mais distantes; nas grandes catedrais e nas mais simples capelas das comunidades.

Eis a segunda verdade: Ele chama! O Senhor chama a todos para estarem próximos dele: “Vinde a mim todos vós” (Mt 11,28). Cada ser humano recebe esse chamado de Jesus, porque, como Ele mesmo disse: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). Não simplesmente a vida terrena, mas sobretudo a vida eterna. Por isso, Ele chama a todos, em todos os momentos. E, dentre aqueles que chama, alguns são enviados para a nobre e árdua missão de proclamar o Reino de Deus entre todos os povos, até os confins da terra.

Crendo nessas verdades, parti da minha terra natal para vivenciar minha experiência missionária em meio a um povo que até então desconhecia e em lugares por onde nunca imaginei caminhar. Com efeito, chegando aqui, encontrei muitos desafios: a língua espanhola, a cultura, o clima, a geografia e a culinária. Mas vejo tudo isso como uma grande oportunidade de aprendizado. Muitas vezes, retornando das comunidades durante a noite e sozinho, por estradas que exigem extrema atenção devido às curvas e aos abismos, eu me pergunto: “Meu Deus, onde eu vim parar?”. Não é uma pergunta de arrependimento da missão — jamais me ocorreu tal sentimento. É uma pergunta de admiração diante de tudo o que estou vivenciando.

Quanto à missão que me foi confiada por Cristo e por sua Igreja — na pessoa do meu bispo, Dom João Kot, OMI, a quem muito agradeço por me permitir viver essa experiência missionária além-fronteiras —, tenho procurado desempenhá-la da melhor maneira possível. Para isso, conto com um povo acolhedor. Desde o dia em que cheguei, fui muito bem recebido. Percebo sua preocupação quando me perguntam sobre minha adaptação, sobretudo ao frio. Embora professemos uma só fé e estejamos unidos em uma única Igreja, a forma como expressam essa fé também me proporciona grande aprendizado: a bênção da água com sal para ser aspergida sobre os fiéis após as celebrações; as frequentes celebrações litúrgicas nos cemitérios pelos parentes falecidos (missas de honra); a presença de corais e danças nas celebrações sacramentais; as constantes bênçãos dos automóveis, entre outras manifestações. Tudo isso revela a riqueza da diversidade existente na unidade da fé. Vejo também a gratidão do povo pela minha presença, expressa em cada “Gracias, Padrecito” ao final das celebrações. Da minha parte, procuro retribuir com a mesma atenção e carinho que recebo deles.

Sigo na missão, consciente dos desafios que estão diante de mim e reconhecendo meus limites humanos. Por isso, não deixo de pedir ao Espírito Santo luz e sabedoria para viver esta missão conforme os desígnios de Deus. O que posso assegurar a todos, com plena certeza, é que minha visão de mundo e de Igreja jamais será a mesma depois desta experiência. Não voltarei para minha terra natal da mesma forma que parti. Além das boas recordações, levarei comigo aprendizados e experiências sem precedentes. Aqui encontrei Deus no cotidiano de um povo simples. Minha missão, portanto, consiste em compartilhar a fé que temos e a Igreja que somos, testemunhando que o Senhor continua presente, continua chamando e continua enviando missionários para anunciar o Evangelho até os confins do mundo.

Texto e fotos: Diác. Joaquim Soares











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